Lays Ramires - 16 de Agosto


16 de Agosto de 2021


Hoje, após a soltura inicial pela “limpeza do espaço”, fomos instigados na prática a acionar/destravar e trabalhar algumas articulações, membros e músculos pouco explorados ou pouco destacados em nosso cotidiano. Punho, mãos, omoplatas, músculos do braço ativados em diferentes pontos, controle de força, de modo a ativar todas as partes do corpo num único movimento. É muito peculiar perceber que quase sempre procuramos manter determinadas áreas do corpo em descanso. A busca pela ativação completa de toda a nossa ferramenta começa ali, na preparação corporal. Não estou falando sobre tensão, e sim, sobre ativação. Se não formos capazes de manter nosso corpo milimetricamente ativado quando estamos focados exclusivamente nele, como é que faremos isso em cena?


Otávio sempre nos lembra das oposições e vetores da técnica de Klauss Vianna, como importantes ferramentas na construção da presença e da tridimensionalidade na composição cênica.


Após toda a prática de alongamento e fortalecimento, fomos também conduzidos ao experimento de saltos, focados na rejeição do chão e uso contínuo dos metatarsos, tanto na saída quanto no retorno ao chão. Vale ressaltar aqui a quão valiosa é a tomada de consciência dos mínimos detalhes do movimento. Quantas lesões poderiam ser evitadas se a prática do ator e do bailarino fossem sempre norteadas por esse processo pedagógico do movimento.


Hoje tivemos acesso a mais textos, aprendemos uma nova canção e fizemos alguns experimentos sonoros com instrumentos. Algumas cenas foram reelaboradas e a composição geral sofreu ajustes. Estamos nessa fase de compreensão da obra. Neste processo é extremamente natural que muita coisa surja e que também muita coisa desapareça. Precisamos estar aptos não somente para absorver o que é dado, mas também para reabsorver, transformar ou apagar.