Gabriel Mazon - 06 de Setembro


06 de Setembro de 2021


Ganhamos vida a partir de uma INspiração. E assim é com todas as coisas. Inspiração significa se encher, renovar-se, tornar –se novo. A palavra Inspiração faz paralelo ao ato de encher o nosso corpo de um novo ar, de nos abastecer - e com isso, renovar nosso organismo todo. Quando inspiramos sentimos mais fortes, num estado de prontidão. Eu encontro espaços internos para que meu corpo possa organizar-se. Então, junto ao inspirar, trago, ativação da musculatura, bem como uma intenção de crescimento e dilatação. Dilatar o nosso corpo, significa se encher de novos ares, aumentarmos nossa cinesfera (O espaço usado pelo meu corpo). Pensar na importância da inspiração como expansão nos ajuda a entender o corpo grande – dilatado – expansivo. Quando eu inspiro não sou o mais pequeno, musculatura bem como toda minha ossatura se preparam para que um novo corpo seja construído.


Em paralelo a inspiração temos a Expiração – O movimento da vida é o da pulsação – percebam o movimento do coração, da artéria, da renovação celular bem como o bombeamento do sangue para os órgãos vitais. Assim como a Inspiração está para a renovação a Expiração também existe para que um novo corpo seja construído. Tudo na vida existe através da oposição – homem / mulher, cima/baixo, noite/dia. Inspiração/expiração – é nessa oposição existente na vida que encontramos a importância do expirar. Expirar é esvaziar-se – ou podemos chamar de contração – Quando expiramos, jogamos para fora o ar antigo que fora inspirado e com isso nos preparamos para o novo. Preparar para o novo é implícito na expiração. Os músculos se contraem, o diafragma se prepara para a expulsão no ar antigo e em seguida se prepara para o ar novo que virá. Imaginem que uma bexiga ao se encher ela expande seus espaços vazios se enchendo de ar, ao soltar esse ar, a bexiga murcha, porém, não será mais a mesma, porque os espaços já foram a segundos atrás, preenchido com novos ares. O que quero dizer? Que ao inspirarmos encontramos os espaços para a dilatação e crescimento dos órgãos internos e externos e ao expirarmos, o corpo se prepara para receber novos ares e assim, nesse encher e se esvaziar o corpo adquire novas estruturas, cada vez mais consciente e reparador.


No dia a dia, respiramos, andamos, interagimos com os espaços e com os outros de forma orgânica, ou seja, sem prestarmos muita atenção no processo do corpo para tais realização, porém, quando vamos para a cena, o artista deve ter domínio de todas as suas ações e conhecimento pleno do seu corpo físico, além, é claro, da sua mente e do espírito, mas isso é assunto para um outro momento.